Finalmente descobri pra quê o Senhor
me deu uma memória tão detalhista: era tudo para te fazer sorrir! E o Senhor
sabe – aliás, só o Senhor sabe – o quanto me alegro por conseguir me lembrar
dos detalhes do teu cuidado comigo e com aqueles a quem amo.
Faz um ano desde que minha família e
eu enfrentamos nosso maior desafio.
Passou-se um ano desde aquela manhã
fria, quando a voz preocupada do outro lado da linha dizia que a suspeita de
câncer havia sido confirmada, tornando a cirurgia necessária e urgente.
Ah, eu me lembro bem dos efeitos dessa
conversa, lembro-me bem da dor... Um soco no estômago teria doído menos e
talvez permitido alguma reação. Lembro-me do fardo da preocupação caindo sobre
meus ombros, sem antes perguntar se eu queria carregá-lo.
Mas também me lembro do primeiro
abraço, da conversa no banheiro, na mesma manhã, quando o Senhor me deu um
amigo para orar junto e ajudar a manter meus olhos em ti. Aí entendi que o
Senhor não tinha perdido o controle da situação, muito menos me abandonado.
Os dias que se seguiram foram longos e
cinzentos. O Senhor não ficou bravo com minhas dúvidas e preocupação, nem pelas
vezes que minha confiança foi desconfiada. O Senhor sabia que só decidi te
entregar tudo por não ter outra opção, e mesmo assim não desistiu. E agora, se
ainda tenho tempo, preciso te agradecer por não me deixar alternativas – eu
soube o quanto é bom depender só de ti!
Eu nem tinha um lugar onde hospedar
meus pais, e o Senhor me emprestou uma casa de verdade, aconchegante e confortável,
onde eles puderam repousar, minimizando o cansaço e a dor, evidenciando sua
presença constante.
Quando a burocracia parecia ditar o
ritmo do tratamento, prolongando a ansiedade, o Senhor me deu tranqüilidade
suficiente para transbordar sobre eles... Passou-se um ano, e ainda não sei
como foi que o Senhor fez aquilo.
Quando o desespero tomou conta de mim
o Senhor me deu, no mesmo pacote um lugar para onde voltar ao final de um dia
longo, um colo pra chorar sem ter de apresentar justificativas e a oportunidade
de experimentar o poder da comunhão.
Quando a distância aumentava a
preocupação o Senhor me permitiu voltar pra casa por um mês inteiro,
ajudando-me a cuidar deles de perto, transformando amor em atitudes... Como
o Senhor faz comigo todos os dias.
E aí chegou o dia. Eu consigo me
lembrar bem do frio do hospital... Mas foi lá que o Senhor nos presenteou com
uma equipe de profissionais cuidadosa e atenciosa – grata surpresa para quebrar
meus preconceitos.
Ah, sim, eu me lembro da manhã da
cirurgia... Acho que eu nunca quis tanto um abraço, nunca me senti tão sozinha
e nem sabia muito bem o que te dizer... Mas o Senhor assistiu comigo os filmes
que se passaram na minha cabeça, cheios de “e se”, medo e preocupação... E me
disse que sim, eu podia chorar para extravasar e aliviar a dor e também podia
te entregar aquele turbilhão de emoções, que o Senhor saberia cuidar... E me
perdoou de novo!
E com um senso de humor incrível o
Senhor resolveu que no dia dos Pais o presente seria pra mim – e o meu pai pode
deixar o hospital para estar com a família no domingo.
Nos meses seguintes muita coisa
aconteceu... E para cada preocupação o Senhor me deu um “não temas”. Para cada
dia, misericórdias fresquinhas. Para cada lágrima um abraço – então foram
muitos!
E o Senhor tornou a quimio e a
radioterapia desnecessárias. E acrescentou motivos para as festas da família –
e eu pude estar lá!
Para me ensinar que os fardos são mais
leves quando compartilhados, um pequeno grupo. Para interceder ou celebrar pelo
resultado de cada exame, o mesmo pequeno grupo.
Um ano se passou.
Ficou a certeza de que o Senhor é bom,
é Deus de Graça, que tem prazer em cuidar dos seus filhos.
E aprendi que minha memória pode ser instrumento de
gratidão e esperança, não me deixando esquecer o que o Senhor já fez. E se
quando sou grata alegro o Teu coração – não quero ser pretensiosa, mas... Será
que consigo fazê-lo transbordar hoje?

; )
ResponderExcluiré isso msm amiga
dias atrás fiz esse exercício d memória relembrando td o tempo desde o sonho do mestrado, o processo d seleção, a mudança pra Rio Grande, as idas e vindas, a volta pra cá... realmente, Deus é mto bom, Ele não se cansa jamais, está sempre demonstrando o seu gigantesco amor s/ fim. A gente tem q manter essas memórias bem vivas, pra ter esperança sempre, e qndo as coisas ficarem difíceis, nos apegarmos a Ele, li esse versículo e me tocou mto: "O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre" (Salmo 73.26). Aleluia!
bjo grand,
Dayse
Bem assim mesmo, querida...
ResponderExcluirEsse exercício me dá bastante tranqüilidade, por me lembrar que o Deus que fez todos esses milagres é o mesmo, nada mudou no caráter dele.
Me vem à cabeça aquela imagem da âncora: não importa o tamanho da tempestade, a gente sabe que a embarcação permanece firme por estar bem ancorada... Sim, ele é bom em todo o tempo!
Abraço apertado pra você!
conheco essa foto....
ResponderExcluirComo assim nao sabia disso!!!Cha