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2 de dez. de 2011

Gentileza para gente leve

Pequenos gestos de gentileza são comoventes. Especialmente quando acontecem em lugares improváveis; no caso de hoje o hospital. Não gosto de ir lá; a véspera e o trajeto são momentos de tensão, de filmes na cabeça, misturados à gratidão...
Na sala de espera tive a alegria de conhecer Dona Afonsina. Do alto de seus 88 anos, mãe de 19 filhos – as sete mulheres são Marias! – parteira por quase trinta anos e dona de uma energia admirável! Contou-me sobre os filhos, a vizinhança, a casa e o dia-a-dia lá em Lafaiete, defendendo com humor suas doses diárias de cachaça e vinho.
Quando me dei conta havia um pequeno grupo em torno da simpática senhora, todos atentos a cada palavra. Gargalhadas? Sim! Minhas misturadas às dos outros; ignorando as placas que pedem silêncio, o riso pareceu terapêutico para alguns pacientes em um dia difícil. E aí se dissolveu o clima de hospital...
Na volta, enquanto espero para atravessar a rua vejo, na porta do hospital, uma faixa enorme contendo a mensagem de agradecimento de uma família a um médico da saúde pública pelo cuidado com um paciente. Meu Deus, onde mais isso acontece? Por um dia as pitadas de gentileza me deixam ter esperança de que o mundo pode ser mais leve.

2 comentários:

  1. Ando passando uns dias no hospital, e o numero de historias que ouço beiram a mais alucinada ficçao... entre elas, algumas de pessimismo, outras de puro deleite, como a sua... estou internado faz uns dias e ficarei mais alguns. Seu texto me abriu um pouco maisos olhos..

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  2. Carvalho, fico na torcida pela sua recuperação. Que os dias no hospital sejam leves (desde hoje eu acho que isso é possível!)e passem rápido.
    Um abraço!

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